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A HISTÓRIA DA FAMILIA VACCARO
(Publicação:01/04/2011)


"COMO TUDO COMEÇOU"





ANO
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Tudo começou com Adão, é claro.

Não sabemos qual foi o primeiro Vaccaro ou de nome semelhante como Vacario, Vaccari etc., mas uma coisa é certa: O gen vem desde a mais remota antiguidade, desde os primeiros séculos da existência do homem. Se interpretarmos o GÊNESIS literalmente, o gen vem desde de Adão, o que vale dizer que Adão também foi um Vaccaro. A réplica também é verdadeira, de que todo Vaccaro é um tipo de Adão.

1810

Mas, a historia da nossa linhagem da família VACCARO, até onde pudemos pesquisar por ora, vem desde aproximadamente 1810, com o nascimento de nosso ancestral paterno, GIOVANNI VACCARO. Esta é nossa TERCEIRA GERAÇÃO NA ITÁLIA.

1844

Depois, por volta de 1844, nasce o filho de GIOVANNI, com o nome de GIÁCOMO VACCARO.

1864

O GIÁCOMO VACCARO casa-se com GIOVANNA ANSELMO, no dia 6 de Abril de 1864, em Baldaria de Cologna Vêneta, VR.

Do lado materno, da ILDA FORTUNATA SAMOGIN, a Segunda Geração na Itália vem de GIÁCOMO SAMOGIN e REGINA BORTOLETTO.

Esta é nossa SEGUNDA GERAÇÃO NA ITÁLIA.

Não temos informações da vida deles na Itália. Era uma época de disputas pelo formação do Novo Reino da Itália, visto que o Reino da Itália proclamado em 1806 havia caído. Não temos conhecimento até onde estiveram envolvidos com essas disputas.

1871 - ABRIL

Em 13 de Abril de 1871 nasce ARCÁDIO VACCARO, em BALDARIA, uma frazione de COLOGNA VENETA, na província de VERONA, na região do VÊNETO. Filho do GIÁCOMO VACCARO e GIOVANNA ANSELMO.

1875

Depois, em 1875 nasce ILDA FORTUNATA SAMOGIN, em SUSEGANA, na província de TREVISO, também na região do VÊNETO. Filha de GIÁCOMO SAMOGIN e REGINA BORTOLETTO.

Tanto COLOGNA VENETA em VERONA como SUSEGANA em TREVISO, ficam na região da pianura (planura), já no início da região collinare (das colinas), onde é o inicio da cadeia Alpina. Esta é nossa PRIMEIRA GERAÇÃO NA ITÁLIA. A geração que imigrou para o Brasil.

1890

Supostamente, no ano de 1890 o ARCÁDIO entrou para o serviço militar no Distrito de Verona, It. Até então, lidava com fabricação e venda de queijos, com os pais. Ele mesmo contou para o filho LEONEL que lidava com uma carrocinha e um burro (ou burrica), transportando e vendendo queijo.

A indumentária típica de um alpino, era exatamente esta: Acompanhado com uma mula e uma mochila com queijo e polenta dura,

1891 - JUNHO

Em 17 de junho de 1891 o ARCÁDIO deu baixa do serviço militar conforme informado na Lista di Leva.

Na Itália, a maior parte dos VACCAROs estão nas regiões centro e sul. Sabemos que por volta de 1800 os nossos Vaccaros já habitavam na região Alpina, ao norte da Itália, exatamente em Baldaria de Cologna Veneta, uma região de planuras, bem próxima das primeiras colinas onde se iniciam os Alpes italianos.

A VIAGEM

1891 - NOVEMBRO

Nessa época, o ARCÁDIO e a ILDA embarcaram para o Brasil. Vieram em navios diferentes. Não sabemos se já se conheciam na Itália. Ele veio pelo vapor Solferino, e desembarcou em Santos em 10 de Novembro de 1891, com 20 anos de idade, deixando na Itália o pai Giácomo, a mãe Giovanna e as irmãs Doménica e Parma. Nunca mais trocaram notícias. Foi um adeus para sempre.

Ela, veio pelo vapor North América, e desembarcou em Santos em 12 de Novembro de 1891, com 16 anos de idade. Apenas dois dias depois do ARCÁDIO. Veio com o irmão GIORDANO SAMOGIN com 22 anos e a irmã FOSCA SAMOGIN com 18 anos. A Fosca foi conhecida na família com o nome de GIUDITA.

O fato do Arcádio nunca mais ter trocado noticias com a família na Itália, deve-se aos seguintes fatos: Não se sabia escrever muito bem; Na condição econômica que se encontrava, papel e caneta eram produtos caros; Também a postagem era cara; e outras dificuldades da época, Longe de pensar em rompimento com a família, pois ao primeiro filho que lhe nasceu colocou o nome de GIÁCOMO em honra ao nome de seu pai.

OS NOSSOS ITALIANOS NO BRASIL - O COMEÇO

Sabe-se que o ARCÁDIO foi para a Hospedaria do Imigrante, e trabalhou alguns dias no Brás como enfermeiro. Nunca soubemos onde tinha aprendido enfermagem. Talvez no exército italiano, de onde saira a pouco.

ACONTECEU COM A ILDA

Contava-se que a ILDA (no Brasil, IDA) ficou algum tempo em Santos, e foi trabalhar de doméstica em uma casa de pessoas ricas. Certa ocasião durante um almoço chic, com alguns convidados ilustres, o senhor da casa lhe pediu que trouxesse um copo (no italiano coppo significa telha). Ela estranhou, retrucou, mas ele insistiu. Queria mesmo um copo. Havia ali, nas proximidades um resto de construção, e ela, apanhou uma telha e levou até a sala do almoço. Todos riram muito, e ela sentiu-se deprimida com tudo aquilo, mas foi consolada depois pela senhora. Era um menina de apenas 16 anos de idade. Estava em um país estranho cuja fala não entendia.

1893

Sabemos que nesta época já estavam todos em SÃO MANUEL, O GIORDANO, a FOSCA (GIUDITA) a ILDA e o ARCÁDIO, pois na igreja matriz de São Manuel, no dia 19 de Agosto de 1893, foi celebrado o casamento da FOSCA SAMOGIN, irmã da ILDA, com JESUS AMBRÓSIO. Além da ILDA, do GIORDANO e da FOSCA, havia um outro Samogin chamado EUGÊNIO SAMOGIN, que deve ter vindo depois, ou antes, em outro navio. Até onde se sabe os SAMOGINs eram todos irmãos e provavelmente, todos trabalhavam em fazendas de café e gado, fazendo todo o tipo de serviço.

ACONTECEU COM O GIORDANO

Conta-se que em certa ocasião o GIORDANO, estava ajudando castrar bezerros. Ele se encarregava de deitar o bezerro no chão, pegar as duas patas traseiras do bezerro e segurá-las abertas para o outro fazer o serviço de castramento. Quando o outro terminou o castramento lhe disse: Larga (Em italiano allargar significa alargar, ou abrir mais) O outro vendo que ele não soltava as pernas do bezerro e ainda as abria mais, gritava larga, larga, laaaaaarga ... Pobre bezerro! Foi o jantar daquele dia.

Falando ainda do Giordano, sabe-se que por volta de 1959 ele havia perdido a audição e porisso teve um fim trágico. Caminhava pela linha do trem, talvez indo ou vindo da roça, quando foi atropelado por uma composição. Não sabemos quanto filhos teve, mas um, chamado JOSÉ SAMOGIN teve vida pública em Baurú e foi homenageado com o nome de uma Rua. Rua José Samogin. Por sua vez o José teve um filho chamado JOSE ROBERTO. Este. por sua vez, gerou o JOSÉ ROBERTO JUNIOR que tem hoje ( 2007 ) um escritório de advocacia em Bauru.

ACONTECEU COM O ARCÁDIO

O ARCÁDIO tinha a falta do dedo mínimo da mão esquerda. Ele mesmo contava que estava cortando capim com um facão, próximo a um tronco de árvore caído, e, em dado momento, quando levantou um punhado de capim cortado uma cobra veio pendurada em seu dedo mínimo. Para que o veneno não entrasse na corrente sanguínea, ele apoiou a mão sobre o tronco caído, abriu bem os dedos, e com o mesmo facão que cortava o capim decepou o próprio dedo, ainda com a cobra presa a ele. Ficou somente com uma falange do dedo mínimo da mão esquerda.

O CASAMENTO e as NOVAS GERAÇÕES

1894

Aos 16 de junho de 1894 ARCÁDIO e ILDA se casam na igreja matriz de São Manuel. De 1896 a aproximadamente 1916 tiveram 6 filhos e 4 filhas. A ILDA morreu em São Manuel aos 60 anos de idade, em 1935. No nome do ARCÁDIO VACCARO está o patriarcado da família VACCARO de SÃO MANUEL e região.

A NOBREZA DA FAMÍLIA

Muitos são os que buscam na sua ascendência reis, príncipes, duques e barões. Não é raro ouvir pessoas afirmarem, com insegurança total, que são descendentes de tais, mas não sabem os seus nomes; Citam nomes de cidades e paises, como também datas completamente desconexas, e por aí vai...

Até a terceira geração de italianos, achamos na nossa ascendência em BALDARIA de COLOGNA VENETA, VR, IT, o GIOVANNI VACCARO, que foi o pai do GIÁCOMO VACCARO, que por sua vez foi o pai do ARCÁDIO VACCARO. Os filhos do ARCÁDIO com suas mulheres. Nem reis, nem rainhas, nem duques e nem duquesas e tampouco barões e baronesas, mas sim, gente simples e laboriosa, dotada de princípios e valores cristãos, que sempre lutou e viveu com dignidade.

A nossa primeira geração de italianos, o Arcádio e a Ilda, viveu pobre, sem mesmo ter a habitação própria. Tiveram 10 filhos vivos e todos começaram a trabalhar muito cedo. Foi uma vida dura, de muito trabalho.

A primeira geração no Brasil, os 10 filhos do Arcádio e da Ilda, já conquistou a habitação própria, mas não possuiu maiores bens ou destaques na sociedade. Tiveram formação escolar precária, pois muito cedo já tiveram que enfrentar o duro trabalho das fazendas de café.

A segunda geração, já conquistou muito mais. Imóveis, automóveis, etc. Alguns se tornaram prósperos empresários. A terceira geração conquistou mais ainda, e a maioria conquistou formação superior, alguns na área de humanas e outros de exatas, o que revela a versatilidade do gen.

Da primeira geração de italianos, conheci o nono Arcádio. Da primeira geração de brasileiros, meus tios e tias, conheci todos. Da segunda geração, meus irmãos e irmãs, primos e primas, quase todos. Da terceira geração conheço bastante gente, mas sei que a quarta geração já nasceu, e a quinta já está vindo aí. Os horizontes estão abertos para que cada um possa mostrar afim de que veio.

A vida é como um game ( jogo ). Tem milhares de regras que não podem ser violadas. Cada um deve somar-se a sociedade humana de forma que esta seja uma só equipe. Terá mais pontos aquele que melhor se entrosar na equipe, sem cometer faltas.

A História continua É uma história sem fim. Agora é a sua vez.

Setembro de 2008 - Pr. Walter Vaccaro




A ITÁLIA NO SÉCULO XIX ( 1800 a 1899 )

Época da nossa 3a, 2a e 1a Geração na Itália


1796

Durante as guerras da revolução francesa, Napoleão Bonaparte expulsou a Áustria do norte da Itália.

1797

Napoleão deu o Vêneto para a Áustria e fundou a República Cisalpina ( futura Itália ). Por pouco não somos todos austríacos.

1800

A região de Piemonte foi dada a França.

1800

A República Cisalpina muda de nome para República Itálica.

1806

A República itálica se torna o Reino da Itália, sob o trono de Napoleão I

****

Napoleão I caiu, e inicia-se várias revoltas.

****

A Áustria é expulsa e Cavoir inicia um movimento para a formação do Novo Reino da Itália.

1860

A formação do novo Reino da Itália se fortalece com a conquista de Nápoles por Garibaldi.

1866

A formação do novo Reino fortalece-se ainda mais com a Prússia entregando o Vêneto.

1870

Finalmente o Reino da Itália é restabelecido com a conquista de Roma por Victor Emanuel II. A própria Roma se torna a capital do Reino.

1914

Somente 44 anos depois, a Itália voltou a ter sérios problemas com a eclosão da I Guerra Mundial e mais tarde com a II Guerra Mundial.

IMIGRAR - FUGA ou CORAGEM

Em 1891 quando Arcádio Vaccaro imigrou para o Brasil, o Vêneto vivia uma época de relativa paz. Não havia guerras há mais de 20 anos pois em 1870 o Reino da Itália havia se consolidado. O Vêneto foi liberto do domínio austro-húngaro em 1866, e em 1875 passou a fazer parte do reino da Itália, sob o governo da Casa de Savoia, do piemonte.

Ele fez o serviço militar e deu baixa em junho de 1891, em um tempo de paz, porem de extrema pobreza. Na verdade ele mesmo nunca viu a guerra, pois quando nasceu em 1871 o Reino da Itália já estava consolidado a um ano, e as nações vizinhas estavam relativamente quietas. A atividade militar da Itália nessa época era de conquistas em território alheio, como a Abissínia ( Etiópia ).

Alguns italianos dizem que os imigrantes fugiram da guerra, para não defender a Itália. Se foi assim com alguns, não o foi com ARCÁDIO. Na realidade imigrar foi a grande solução, tanto para o imigrante como para aqueles que ficaram.

As conquistas da Itália na Etiópia foram frustrantes. Houve a interferência do Conselho das Nações e anos depois a Itália viu-se com o seu próprio território sendo invadido pelos vizinhos.

Conquista mesmo foi a invasão do Brasil, da Argentina, dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália, etc... Que, alem de não custar nada para a Itália, possibilitou a fundação de muitas Itálias pelo mundo todo, com cidadãos já preparados para o mundo moderno, sem nenhum custo, sem conflitos armados, enfim, uma mina.

Qualquer estadista vê facilmente esta mina. Jamais um político a verá, pois está desprovido de senso patriótico. Imigrar foi sim, um ato de enfrentamento e coragem, partir para uma terra distante, desconhecida, deixando para traz os entes queridos para nunca mais vê-los. Foi necessário muita coragem e resignação.

Sabe-se que na época as lendas sobre o novo mundo se multiplicavam. Falava-se de monstros, serpentes, feras desconhecidas e selvagens ferozes e outras coisas assustadoras. Mas, maior do que isso era a esperança de prosperidade em uma terra rica e abundante. Dizia-se que se recolhia dinheiro com o rastelo. Eles falavam que vinham fazer a América, e a fizeram. Está aí para quem quizer ver.

PORQUE IMIGRAR

A história relata que aquela região passava por um período de extrema pobreza. A qualidade de vida era a pior que se possa imaginar. O PIB gerado não correspondia ao tamanho da população e não havia sustento para todos.

O melhor da produção era destinado aos Senhores da Terra. A Igreja era a proprietária de grande parte das terras, como também os Senhores, que impunham um trabalho duro aos contadinos (camponeses) através dos seus vassalos.

Há até um provérbio italiano da época, mas ainda em uso, que diz "Quem se levanta primeiro se veste", indicando que as roupas não eram propriamente de cada um, e havia pouca roupa, e pela manhã quem antes chegasse se vestia.

Para os contadinos não havia esperanças de melhoras. Não havia horizontes. Não havia um futuro.

Assim, a imigração foi um solução inteligente, tanto para a Itália da época como para os paises em desenvolvimento. Para a Itália porque aquele sistema social não comportava toda aquela gente, se bem que isto agradava os Senhores, pois tinham mão de obra barata, ou mais precisamente, escrava. Alguém tinha que sair. A imigração foi também um saída inteligente para os Países em desenvolvimento porque, com a onda contra a escravatura, principalmente dos negros, havia falta de mão de obra.

Ver texto abaixo "Causas da Imigração Vêneta"

FAZENDO PLANOS

Em 1891 o Arcádio fazia o serviço militar obrigatório.

Vindo de uma vida pobre, teve no exército novas experiências e conheceu muitas pessoas, e provavelmente compartilhou com outros ou outros compartilharam com ele a idéia de imigrar.

Ele deu baixa do exército em 17/06/1891, e já em novembro do mesmo ano estava chegando no Brasil.

Quanto a sua estada no exército, é fato verídico. Temos em mãos alguns documentos do Arquivo do Estado de Verona que comprovam isto, e nos passam outras informações valiosíssimas. Veja.


TRANSCRIÇÃO DA CARTA e da FICHA DE DADOS


VER DOCUMENTO ORIGINAL


MINISTERO PER I BENI E LE ATIVITÁ CULTURALI, do ARCHIVIO DI STATO DI VERONA
Via Francescine, 4 - VERONA - VR - CAP. 37122 - Tel. 045 594 580 - E-mail: asvr@archivi.beniculturali.it
ARCÁDIO VACCARO: Nascimento: 13/04/1871 - em COLOGNA VENETA - província de VERONA,
conforme pesquisa feita no ARCHIVIO DI
STATO DI VERONA, e encontrado no ROLO MATRICULARE (Lista di Leva) ou SERVIÇO MILITAR, com os seguintes dados:
FICHA DE DADOS
TEXTO DO DOCUMENTO EM ITALIANO TEXTO TRADUZIDO PARA O PORTUGUÊS
DATI E CONTRASSEGNI PERSONALI DADOS E PARTICULARIDADES PESSOAIS
Figlio di: GIÁCOMO Filho de: GIÁCOMO
e di: GIOVANNA ANSELMO e de: GIOVANNA ANSELMO
Nato il: 13 APRILE 1871 A COLOGNA Nascido em: 13 DE ABRIL DE 1871 EM COLOGNA
mandamento di: COLOGNA comando de: COLOGNA
Distretto militare di: VERONA Distrito Militar de: VERONA
Statura metri: 1,59 1/2 - colorito: BRUNO Estatura, metros: 1,595 - Pele: ESCURA
Capelli colore: NERO - forma: LISEI Cabelos cor: NEGRO - forma LISOS.
Occhi: CASTAGNI Olhos: CASTANHOS.
Dentatura: SANA Dentição: SAUDÁVEL
Segni particolare: Sinais particulares:
Arte o professione: CONTADINO Arte ou Profissão: CAMPONÊS, ALDEÃO.
N. 313 d’estrazione nella leva: l871 Número: 313 recrutado da turma de: l871
Comune: COLOGNA Cidade: COLOGNA
Mandamento di: “ Comando de: IDEM
Circondario di: VERONA Região de: VERONA
Distreto militare di: “ Distrito militar de: VERONA
SERVIZI, PROMOZIONI SERVIÇOS, PROMOÇÕES
E VARIAZIONI MATRICOLARE E ALTERAÇÕES DA FICHA DE MATRICULA
SOLDADO DI LEVA DI 3a. CATEGORIA SOLDADO DE RECRUTAMENTO (ALISTADO) DE 3a. CATEGORIA
CLASSE 1871 CLASSE 1871
DISTRETTO DI VERONA DISTRITO DE VERONA
E LASCIATO IN CONGEDO ILLIMITATO E DEIXADO NA RESERVA SEM RESTRIÇÕES.
LI 17 GIUGNO 1891. EM 17 JUNHO DE 1891.


RESUMO HISTÓRICO - ARCÁDIO e ILDA

ARCÁDIO VACCARO e ILDA SAMOGIN (No Brasil IDA)

ELE:

NASCIMENTO:

Nasceu em 13/04/1871 na comune de COLOGNA VENETA, VERONA, região do VÊNETO, ITÁLIA. Com o nome de ARCÁDIO VACCARO.

CHEGADA AO BRASIL:

Desembarcou no porto de SANTOS, em 10 de novembro de 1891, com 20 anos de idade, vindo pelo VAPOR SOLFERINO. Quando registrou-se no SERVIÇO DE REGISTRO DE ESTRANGEIROS na DELEGACIA DE POLICIA DE SÃO MANUEL, em 30 de Janeiro de 1942, declarou que o nome do navio era NORTH AMÉRICA. Talvez por não lembrar-se do nome SOLFERINO citou o nome do navio que veio a ILDA SAMOGIN, sua esposa. Ele veio sozinho e foi registrado no Museu do Imigrante com o nome de ARCÁDIO VACCO.

CASAMENTO:

Casou no Brasil com: ILDA FORTUNATA SAMOGIN (IDA) - Provavelmente casaram-se somente na Igreja. Não foi encontrado o assento do casamento no cartório de S. Manuel.

MORTE:

Morte: 26/08/1960 em CORNÉLIO PROCÓPIO, PR.

VARIAÇÕES DE NOME:

Nos vários documentos existentes, Arcádio Vaccaro aparece com os seguintes nomes: ARCÁDIO, ARCHANGELO e ARCÂNGELO, e com os seguintes sobrenomes: VACCARO, VACARIO, VACCO. Ele assinava Arcádio e também Arcângelo Vaccaro conforme documentos do Arquivo Nacional.

ELA

NASCIMENTO:

Nasceu em 18/05/1875 na comune de SUSEGANA, TREVISO, região do VÊNETO, ITÁLIA. Com o nome de ILDA FORTUNATA SAMOGIN

CHEGADA AO BRASIL:

Desembarcou no porto de SANTOS em 12 de Novembro de 1891 com 16 anos de idade, juntamente com GIORDANO SAMOGIN, 22 anos de idade (Líder) e FOSCA samogin com 18 anos de idade. Vieram pelo vapor NORTH AMÉRICA.

MORTE:

Novembro de 1935 - Foi sepultada no cemitério de São Manuel. Seus ossos já foram removidos.

VARIAÇÕES DE NOME:

Nos vários documentos, aparecem nomes diferentes, como IDA e HILDA, e sobrenomes SAMOGIN que é correto, e raramente SAMUGIN. No Memorial do Imigrante está registrado SAMOGNI.



CAUSAS DA IMIGRAÇÃO VÊNETA

Causas da Imigração Vêneta
Fonte:
Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
La Piave FAINORS Federação Vêneta
http://www.fainors.com/


Inúmeras são as causas desse verdadeiro êxodo Vêneto que, no período de aproximadamente cem anos, esvaziou vilas e cidades, um fenômeno jamais visto nos tempos modernos.

A grande emigração vêneta fez com que milhares de homens, mulheres e crianças tivessem que abandonar, desordenadamente e sem auxílio do governo, a terra natal para, procurar trabalho e melhores condições de vida em lugares distantes e pouco conhecidos.

Em primeiro lugar, devemos levar em conta a somatória de fatores locais vênetos, ocorridos nos últimos cinqüenta anos finais do século XIX (18xx a 1900), os quais, muito contribuíram para romper o relativo equilíbrio existente, agravando a já tão difícil vida de milhares de pobres agricultores, diaristas e pequenos artesãos.

A população vêneta, como de toda a Europa, devido a melhoria das condições de higiene, principalmente com uma maior redução da mortalidade infantil, experimentou nesse período um aumento importante e nunca conhecido.

A agricultura vêneta nesta época, que antecedeu a grande emigração, era muito atrasada. Durante centenas de anos muito pouco foi acrescentado em novas técnicas, desde a introdução da batata e do milho nos séculos anteriores, produtos estes que contribuíram, ainda no governo da Sereníssima República de Veneza, para manter a população vêneta mais ou menos equilibrada. Pelo atraso em que se encontrava, não conseguiu suportar a concorrência de produtos importados de outros países, principalmente dos Estados Unidos da América, que chegavam por preços mais baixos.

Uma série de desastres naturais, também se abateu sobre todo o Vêneto neste período, com secas, inundações, granizo e pragas, contribuindo para agravar a já deficiente produção agrícola vêneta e a conseqüência foi a fome e doenças carenciais como a pelagra.

O atraso da Itália em geral, e do Vêneto em particular, também ficava evidente no que diz respeito a industrialização, movimento que só apareceu na região em fins do século XIX, ainda que timidamente, não oferecendo trabalho suficiente para aquela mão de obra expulsa do campo.

O Vêneto, em 1866 passou a fazer parte do do Reino da Itália, comandado pela piemontesa Casa de Savoia, que criou inúmeros problemas em toda a região. Entre eles a proibição de uso das terras da Igreja, fonte de sustento de grande número de pequenos agricultores, criadores de gado e lenhadores, os quais com o seu trabalho, tiravam daqueles locais o sustento para suas famílias. Também a criação de impostos abusivos, que puniam sempre os mais fracos, tornando-os cada vez mais pobres. Entre esses odiosos impostos estavam a taxa sobre o volume de grãos moídos, que era cobrado diretamente no moinho e a taxa sobre a venda de sal.

O tipo de relacionamento entre o capital e o trabalho, ainda herança da era medieval, onde o patrão, dono da terra, detinha o controle quase total do empregado, ao qual, sem leis específicas de proteção, só restava calar sempre, obedecer sempre.

A vontade de libertação do jugo do patrão, exercido ainda de forma medieval, juntamente com a fome crônica que grassava na região, com a falta de perspectivas para o futuro e, posteriormente, a ação desonesta de angariadores de mão-de-obra e divulgadores do "el dorado" brasileiro, foram, sem dúvidas, as causas mais próximas da grande emigração vêneta para o Brasil.